
“Eu estava me afogando… e ela era um bote salva vidas, de vestido azul cintilante…
Se em algum momento você me perguntasse como tudo começou, eu jamais poderia lhe explicar. Eu ainda tento entender.
Ela estava lá o tempo todo. Tão simples que chegava a ser complexa.
Chamou-me para sentar ao seu lado, naquela tarde desesperada.
Ela não tinha medo de mim. Não tinha medo do desconhecido. Não tinha medo da chuva.
Eu não sabia nada sobre ela. E não demorou muito para não saber mais nada sobre mim.
Você sabe, ela estava por dentro de tudo. Mas sua ótica sempre foi respeitavelmente dela.
Ela era muito rara e sabia disso.
Não me espanta ter respondido apenas “Dois de Paus” quando eu perguntei quem era ela.
Simplesmente escolheu a menor e menos desejada carta entre suas opções e se autointitulou simples, pouco, comum.
Era irônica, incompreensível, de uma fragilidade falsa e… e… era brilhante…
Eu não sei. Eu não sei em que momento todo aquele amontoado psicodélico de sorrisos, borboletas, sonhos, olhares e tudo o que não faz sentido, me tornou esse alguém dividido e esperançoso.
Eu passei de tudo que precisava ser, para um ser que precisava ser tudo.
E eu não podia… Eu nunca fui feito de completudes.
Pude me tornar apenas a última coisa que antes gostaria. Pude apenas ser uma ridícula mentira.
E sabe o que mais me despedaça ao pensar nela?
É que ela entenderia. Podia me aceitar, desaparecer, lançar toda sua ira em mim.
Faria isso de uma forma que a faria invencível.
Sabe como?
Com a maldita simplicidade.
A simplicidade de suas frases desconexas, de suas intensas cores primárias, de seu amor brilhante como um farol, seu amor que resgata afogados…
…
… mas não os ensina a nadar no seu mar.”
e…quem seria você? ( como se muitas pessoas sentissem minha falta. hahaha )
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